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Perispírito

Os materialistas, em sua negação da existência do espírito, muitas vezes tem apelado para a dificuldade de conceberem um ser privado de forma. Os próprios espiritualistas não sabem explicar como a alma imaterial, imponderável, poderia presidir e unir-se estreitamente ao corpo material, de natureza essencialmente diferente. Essas dificuldades encontram solução nas experiências do Espiritismo.

O Espírito está, durante a vida material, assim como depois da morte, revestida constantemente de um envoltório fluídico, mais ou menos sutil e etéreo, que Kardec denominou  perispirito ou corpo espiritual.
Como participa simultaneamente da alma e do corpo material, o perispirito serve de intermediário a ambos:

  1. Transmite ao espirito as impressões dos sentidos e comunica ao corpo as vontades do espírito.
  2. No momento da morte, destaca-se da matéria tangível, abandona o corpo ‘as suas decomposições, porém, inseparável do espírito, conserva a forma exterior da personalidade.

O perispirito é, então, um organismo fluídico, é a forma preexistente e sobrevivente do ser humano, sobre a qual se modela o envoltório carnal, como uma veste dupla e invisível, constituída  de matéria quintessenciada, que atravessa todos os corpos por mais inpenetráveis que estes pareçam.

A matéria grosseira, incessantemente renovada pela circulação vital, não é a parte estável e permanente do homem. É o perispirito que garante a manutenção da estrutura humana e dos traços fisionômicos, e isto em todas as épocas da vida, desde o nascimento até a morte.

O perispirito exerce assim, a ação de uma forma, de um molde contrátil e expansível sobre o qual as moléculas vão se incorporar.

Esse corpo fluídico não é, entretanto, imutável, ele se depura e se enobrece com o espírito, segue-o através das suas inumeráveis encarnações, com elas sobe os degraus da escada hierárquica, torna-se cada vez mais diáfano e brilhante para algum dia,resplandecer com essa luz radiante de que falam as bíblias e os testemunhos da história a respeito de certas aparições.

É no cérebro desse corpo espiritual (perispirito) que os conhecimentos se armazenam e se imprimem em linhas fosforescentes, e é sobre essas linhas que, na reencarnação, se modela e forma o cérebro da criança. Assim, o intelecto e o moral do espírito, longe de se perderem, capitalizam-se e se acrescem com as existências deste. Daí  as aptidões extraordinárias que trazem, ao nascer, certos seres precoces, particularmente favorecidos.

A elevação dos sentimentos, a pureza da vida, os nobres impulsos para o bem e para o ideal, as provações e os sofrimentos pacientemente suportados, depuram pouco a pouco as moléculas perispiríticas, desenvolvem e multiplicam as suas vibrações. Como uma ação química, eles consomem as partículas grosseiras e só deixam subsistir as mais sutis, as mais delicadas.

Por efeito inverso, os apetites materiais, as paixões baixas e vulgares reagem sobre o perispirito e o tornam mais pesado, denso e escuro.

Quanto mais elevado é o espírito, tanto mais sutil, leve e brilhante é o perispirito, tanto mais isento de paixões e moderado em seus apetites ou desejos é o corpo. A nobreza e a dignidade do espírito se refletem sobre o perispirito, tornando-o mais harmonioso nas formas e mais etéreo, se revelam até sobre o próprio corpo, a face então se ilumina com reflexo de uma chama interior.

É pelas correntes magnéticas que o perispirito se comunica com o espírito. É pelos fluídos, posto que invisíveis, são vínculos poderosos que o prendem á matéria, do nascimento á morte, e mesmo, nos sensuais, assim o conservam, até a dissolução do organismo. A agonia representa a soma de esforços realizados pelo perispirito a fim de se desprender dos laços carnais.

O fluído nervoso ou vital, de onde o perispirito se origina, exerce um papel considerável na economia orgânica. Sua existência e seu modo de ação podem explicar bastantes problemas patológicos. Ao mesmo tempo agente de transmissão das sensações externas e das impressões íntimas, ele é comparável ao fio telegráfico, transmissor do pensamento, e que é percorrido por uma dupla corrente.

Embora em diversas épocas tenha sido afirmada a existência do perispirito, foi ao espiritismo      que coube determinar o seu papel exato e a sua natureza. Graças as experiências de Crookes e de outros sábios  ingleses, sabemos que o perispirito é o instrumento com cujo auxílio se executam todos os fenômenos do magnetismo e do espiritismo. Esse organismo espiritual, semelhante ao corpo material, é um verdadeiro reservatório de fluidos, que  a alma põe em ação pela sua vontade. É o perispirito, que no sono natural como no sono provocado , se desprende da matéria, transporta-se a distâncias consideráveis e, na escuridão da noite como na claridade do dia, vê, percebe e observa coisas que com corpo não, poderia conhecer por si.


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