Estudando o "Livros dos Espíritos" - O sono e os sonhos | Por Gustavo Luiz Tomasi (CECC em Foco - Dezembro 2006)
Não são raras as situações em que um sonho que temos ao dormir parece algo verdadeiro. As experiências que passamos neste momento, por vezes, nos remetem a situações que vivemos e pessoas que conhecemos, amamos ou odiamos, ou historias que, ao acordarmos, não nos parecem mais do que uma ilusão muito real. Apesar de todo esse mistério que envolve os sonhos, o Espiritismo nos revela que eles, sim, são reflexos de ações vividas pelo espírito, seja no presente ou passado, ou ainda, se lhe permitido por Deus, observações do futuro.
Como revelam os Espíritos, o espírito se liberta da matéria durante o sono, uma vez que não repousa junto ao corpo, ou seja, não mantém-se inativo. Nesse sentido, portanto, os sonhos são o espelho da ação do espírito durante o sono do corpo. Na pergunta 402 do Livro dos Espíritos, os Guias Espirituais ensinam como analisar as atividades do espírito durante o sono. “Muitas vezes dizes: 'Tive um sonho horrível, mas que não tem nada de verossímil'. Enganas-te, é frequentemente uma lembrança dos lugares e das coisas que vistes e verás em uma outra existência ou em um outro momento (...). Espíritos que se desligam logo da matéria, em sua morte tiveram sonhos inteligentes: estes, quando dormem, reúnem-se à sociedade de outros seres superiores a eles. Com eles, viajam, conversam e se instruem, trabalhando mesmo em obras que se encontram prontas quando morrem”. Na seqüência, complementam. “Pelo efeito do sono, os espíritos encarnados estão sempre em relacionamento com o mundo dos espíritos (...)”.
O sonho nem sempre pode ser lembrado, um vez que o corpo material não é capaz de manter a grande maioria das informações vividas pelo espírito durante o sono. É por isso, então, que na maior parte das vezes não nos lembramos, ou apenas lembramos de fragmentos, dos sonhos. O que pode ocorrer, também, é a influência de pensamentos humanos nos sonhos, caso o homem deseje ou tema demais aquilo que pensa. Isso, denominam os Espíritos, seria, sim, um “efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma idéia, a ela se liga tudo aquilo que se vê”.
Na questão 405, Kardec indaga aos Espíritos a que se deve os fatos ocorridos em sonhos, semelhantes à pressentimentos e que por fim não se cumprem. “Eles podem cumprir-se para o espírito, se não para o corpo, isto é, o espírito vê a coisa que deseja porque vai procurá-la”.
Na pergunta 408, os espíritos revelam que, por vezes, palavras e frases distintas àquilo que realmente nos preocupa em determinadas ocasiões são nada mais que “fracos ecos de um Espírito que veio comunicar-se contigo”.
Adiante, na questão 410, Kardec pergunta aos Mentores Espirituais o que se passa quando, durante o sono, parece ter-se idéias muito boas e que, mesmo com muitos esforços, ao acordarmos não conseguirmos lembra-las. “Elas são o resultado da liberdade do espírito, que se emancipa e goza de mais faculdades durante esse momento. Freqüentemente, são conselhos de outros espíritos. Essas idéias pertencem, algumas vezes, mais ao mundo dos Espíritos, que ao mundo corporal; mas, com mais freqüência, se o corpo esquece, o espírito se lembra, e a idéia revive no instante necessário, como uma inspiração do momento”.
Por fim, o espírito pode pressentir a morte em sonhos, ou mesmo em sã consciência. “E é isso que, no estado de vigília, lhe dá a intuição. Daí vem o fato de certas pessoas preverem, algumas vezes, a sua morte, com grande exatidão”.
E todas as andanças do espírito durante o sono podem afetar o corpo. “O espírito tem um corpo, como um balão cativo tem um poste. Ora, da mesma forma que a agitação do balão abala o poste, a atividade do espírito reage sobre o corpo e pode faze-lo experimentar fadiga”.